Foi avaliado a atuação de ponteiras de hastes sulcadoras de semeadoras-adubadoras em sistema plantio direto, analisando seus efeitos sobre o solo, o desempenho operacional da semeadura e a produtividade da soja em um Argissolo Vermelho submetido a diferentes níveis de tráfego de máquinas. O estudo comparou duas angulações de ponteira (18º e 26º) em seis condições de compactação do solo, variando desde ausência de tráfego até múltiplas passadas de trator. Foram avaliados parâmetros mecânicos (força de tração, consumo de combustível e patinagem), características do sulco de semeadura, atributos físicos do solo e respostas da cultura da soja.

Os resultados mostraram que a ponteira com maior ângulo de ataque (26º) promoveu maior mobilização do solo, aumentando a profundidade e a seção transversal do sulco, porém à custa de maior demanda energética, maior força de tração e maior consumo de combustível. Apesar da compactação do solo aumentar a resistência à penetração, especialmente nas paredes do sulco, os valores observados (até cerca de 3 MPa) não limitaram a emergência, o estande final de plantas nem a produtividade da soja. Observou-se também que a patinagem do trator foi reduzida em áreas com nível intermediário de tráfego, indicando interação entre condições do solo e desempenho operacional.
Conclui-se que a ponteira com menor ângulo de ataque (18º) apresentou melhor equilíbrio entre eficiência operacional e resposta agronômica, pois reduziu a mobilização excessiva do solo, a demanda energética e o consumo de combustível, além de proporcionar maior produtividade de grãos de soja. O uso dessa ponteira mostrou-se eficaz para amenizar os efeitos da compactação em níveis moderados de tráfego, sem prejudicar o estabelecimento da cultura, sendo uma alternativa mais eficiente e sustentável para a semeadura da soja em Argissolos sob sistema plantio direto.
Fonte: Fortes, L. P. Atuação das ponteiras de haste sulcadora de semeadoras de plantio direto em argissolo com níveis de tráfego.





